Foto: Divulgação/Arquivo
O uso de drogas está cada vez maior, principalmente, entre
os jovens no Brasil. O surgimento de novas drogas têm motivado ainda mais o
consumo de parte desse público. As drogas sintéticas surgiram nos anos 80 e até
hoje são consideradas de uso recreativo, ou seja, o uso costuma ocorrer em
festas. Em Alagoas, somente no ano passado, 5.331 unidades da droga foi
apreendida. As principais substâncias comercializadas no estado são LSD e
Ecstasy, conhecidas também, como "bala" e "doce", respectivamente.
As drogas sintéticas são substâncias ou misturas criadas em
laboratório com o objetivo de promover efeitos semelhantes aos das drogas
obtidas naturalmente, ou seja, afetar diretamente as ações do sistema nervoso.
Os componentes das drogas sintéticas não são encontrados na natureza. As
principais são 3,4-metilenodioximetanfetamina (MDMA) conhecida popularmente
como ecstasy, LSD, PMA ou parametoxianfetamina, entre outras.
O delegado Gustavo Henrique, titular da Delegacia de
Narcotráfico (DENARC), afirmou que o trabalho da polícia no combate ao tráfico
tem crescido no estado, mas que o principal problema enfrentado pela delegacia
é o efetivo reduzido. "O combate é diuturno, sendo a grande maioria das
operações deflagradas após minucioso trabalho de inteligência da Delegacia de
Narcóticos (DNARC). Isso tem contribuído muito para o aumento de apreensões e
prisões e, consequentemente, o combate ao tráfico de drogas. Atualmente, o
principal problema é o efetivo que é reduzido, aquém da necessidades para
atender a grande demanda de trabalho envolvendo o combate ao tráfico",
disse.
Segundo ele, por ser considerada uma droga cara, geralmente,
os usuários são jovens de classe média e alta, que usam o entorpecente,
especialmente, nas conhecidas festas do tipo "rave". "Apesar de
eu entender que de recreativo nada tem o consumo dessas drogas, fala-se assim,
exatamente, pelo fato de serem utilizadas em festas e baladas.
Conforme o delegado, grandes centros urbanos das regiões Sul
e Sudeste são os maiores fornecedores da droga em Alagoas. "Diferentemente
da maconha, cocaína e crack que têm centros fornecedores bem definidos, as
drogas sintéticas que aportam em Alagoas vêm de locais diversos, mas pode-se
mencionar os grandes centros urbanos dos estados das regiões Sul e sudeste",
explica.
Danos à saúde
De acordo com Dra. Julia Soeiro, médica pesquisadora e
professora da PUC Campinas, o ecstasy e o LSD são substâncias que têm seu
consumo aumentado no últimos anos e a estimativa de prevalência do uso chega
perto de 1% da população brasileira.
"O uso costuma acontecer em situações de festa e, por
isso, é dito recreativo, porém não existe uso de substâncias isento de riscos -
o recreativo já traz sérios riscos - e ele pode ser um uso abusivo. As pessoas
tendem a aumentar a quantidade e ampliar as situações de consumo indo a mais
festas, por exemplo".
Ela diz que o uso abusivo pode causar dependência.
"Existe chance de causar dependência por criarem tolerância - a mesma dose
não fazer mais o mesmo efeito e, por isso, a pessoa usar uma dose maior-,
principalmente as anfetaminas (classe do ecstasy), mas qualquer uso é bastante
arriscado, porque elas promovem uma liberação maciça de neurotransmissores com
ação estimulante e alterações sensitivas (ecstasy) e perturbadora (LSD). Além
disso, existe o risco de hipertermia, desidratação, além de serem neurotóxicas
e por isso a longo prazo podem trazer prejuízos cognitivos e desencadear ou
exacerbar quadros psicóticos", pontua.
De acordo com o perito Thalmanny Goulart, os maiores riscos
causados pelo uso da droga diz respeito a problemas cardíacos como parada
cardíaca e Acidente Vascular Cerebral (AVC)
"Essas drogas trazem risco fisiológicos. Da parte
cardíaca, muitas delas são ditas simpatomiméticas, ou seja, drogas que imitam o
sistema adrenérgico do corpo, o sistema que prepara o corpo para a luta e fuga.
Imagine que a adrenalina é um neurotransmissor do sistema simpático, então, são
drogas que imitam a ação da adrenalina. Isso traz uma repercussão também para o
sistema cardiovascular e quem tem propensão a problemas cardíacos pode sofrer
uma parada cardíaca. Tem também repercussão hepática, porque não há uma
preocupação no processo de fabricação, ou seja, não é uma indústria regulada
pelo Ministério da Saúde e secretarias de vigilância sanitária. É um processo
clandestino e criminoso, muitas vezes feito fora do país. Não há uma
preocupação no processo de produção e o princípio ativo traz essa preocupação
hepática e renal", explica.
"Em função dos riscos de parada cardíaca e AVC há o
risco de morte, principalmente, pelo uso excessivo ou associado ao consumo de
energéticos ou álcool para aumentar o efeito da droga".
O perito explica que cada estado e cada país tem um perfil
na fabricação dessas drogas. "Hoje, temos a portaria nacional 344/98, que
é regulada e atualizada trimestralmente pelas Resoluções de Diretoria Colegiada
(RDC), e define as drogas prescritas por médicos para tratamento medicamentoso
e as proscritas, com a classe das drogas sintéticas que se encaixam dentro de
uma classe maior e que são proibidas de vendas no país".
Fonte: Gazeta de Alagoas

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