Anh Young-Joon/Associated Press/Estadão Conteúdo
O avanço do coronavírus já afeta o mercado financeiro
internacional e acende uma luz amarela para o consumidor brasileiro. Um dos
efeitos possíveis é o aumento do valor de produtos importados da China, país
que ocupa o posto não só de maior importador, mas também maior vendedor de
itens para o Brasil, como aparelhos eletrônicos, máquinas e roupas, à frente
dos Estados Unidos.
Segundo especialistas ouvidos pelo R7, esse cenário por ora
apenas especulativo é uma possibilidade caso a epidemia seja duradoura, e as
medidas de contenção não se mostrem eficientes.
Os impactos no curto prazo já começaram. Como reação ao
avanço do coronavírus, a China decidiu prolongar em três dias o feriado do Ano
Novo Lunar, que acabaria neste quinta (30). Além disso, a metrópole industrial
de Wuhan, epicentro da doença, foi confinada.
Com a perspectiva da redução da atividade econômica, bolsas
caíram pelo mundo. A B3, bolsa de valores oficial do Brasil, teve seu pior dia
desde junho na segunda-feira (27), com queda de 3,3%.
Segundo o economista Ricardo Balistiero, coordenador do
curso de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia, apesar da redução da
atividade econômica na China, não é possível esperar no momento um impacto nas
exportações brasileiras. Já as importações poderão sofrer impacto, porque a
liberação de produtos em portos e aeroportos poderá ficar mais cara.
“Todos os critérios de vigilância vão ser cobrados. Isso
pode encarecer as transações ou preço final”, diz.
No cenário de curto prazo, o que está acontecendo é apenas
uma fuga de investidores do cenário de incerteza. “Eles optam por comprar
moedas fortes e vender ações especialmente de empresas com mais transações com
a China”, explica.
O paralelo com a epidemia de Sars (síndrome respiratória aguda
grave), de 2003, é inevitável. A doença, que também teve origem na Ásia e
deixou cerca de 800 mortos, derrubou a economia mundial em 0,5%, segundo o
especialista.
Parceria importante
O crescimento da relação comercial com a China nas últimas
décadas levou o país asiático à liderança na compra e venda de produtos com o
Brasil. Em 2019, a China foi responsável por 28% das exportações brasileiras –
US$ 57,6 bilhões até novembro, enquanto os produtos chineses responderam por
19,8% das importações – US$ 32,6 bilhões até novembro, segundo o Ministério da
Economia.
Essa forte relação aumenta os efeitos no Brasil de problemas
na economia chinesa, segundo os especialistas. Para Ernani Reis, analista da
Capital Research, na confirmação de um cenário mais pessimista, a queda da
produção da indústria chinesa pode reduzir a oferta de eletrônicos e outros
itens de consumo. “Isso pode pressionar a alta do preço pela escassez dos
produtos”, diz.
Metrópole industrial de Wuhan foi confinada - Thomas Peter/Reuters - 25.1.2020
Isso valeria para produtos de empresas chinesas ou mesmo de
outros países que têm etapas de fabricação sediadas no país asiático. É o caso
da Apple. Diversas empresas brasileiras também dependem desse comércio e
colocam suas marcas nos produtos “made in China” antes de revendê-los no
Brasil.
De momento, o ponto de atenção sobre o impacto mundial da
crise é o preço do petróleo, avalia Reis. O valor do barril caiu nas últimas
semanas e a expectativa é que governo americano anuncie nesta quarta-feira (29)
um aumento do estoque. O petróleo desvalorizado pode impactar nos resultados da
Petrobras.
Além disso, o analista Ernani Reis entende que a crise do
coronavírus pode sim impactar a exportação de commodities brasileiras para a
China, como carne e soja, além de minérios. “O Brasil ainda tenta mensurar os
reflexos do acordo comercial entre EUA e China e agora já tem um novo desafio”,
conclui.
Fonte: R7


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