Gledston Tavares/Framefhoto/Estadão Conteúdo
O presidente Jair Bolsonaro descarta, neste momento, a
possibilidade de enviar aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) à China a fim de
trazer ao País brasileiros que estejam na região de Wuhan, epicentro do surto
de coronavírus. Nos bastidores, fontes do governo alegam problemas
diplomáticos, jurídicos e orçamentários para tomar a ação e, principalmente, a
falta de uma legislação específica para lidar com casos que recomendariam a
adoção de quarentena. Atualmente, o Brasil não dispõe de nenhuma lei sobre o
assunto.
odos os cenários e possibilidades são avaliados diariamente
pelo Palácio do Planalto e pelo gabinete de crise montado no Ministério da
Saúde. Autoridades do governo reconhecem inclusive que esta postura preliminar,
de não enviar aeronaves para buscar brasileiros, pode ser revista se houver
algum dado novo.
O presidente se diz "muito preocupado" com a
contaminação do coronavírus e a possibilidade de a doença chegar ao País. Por
isso, tem pedido, diariamente, para ser informado sobre a evolução dos fatos e
conversa, por telefone e pessoalmente, com os envolvidos no acompanhamento do
caso.
Ao menos por enquanto, o governo não cogita seguir a postura
de países como Estados Unidos, Inglaterra e Austrália, que temendo o
coronavírus, fecharam suas fronteiras para viajantes que vem ou passaram pela
China.
Na sexta-feira, dia 31, em reunião no Palácio da Alvorada,
todas as hipóteses para enfrentamento da crise foram debatidas entre Bolsonaro
e os integrantes do gabinete de crise. A ideia é evitar surpresas e se preparar
para todos os cenários possíveis.
Até agora, o Brasil tem apenas casos suspeitos, mas nenhuma
confirmação de contaminação por coronavírus. Para o governo, porém, isso é uma
questão de tempo e, dependendo da gravidade, pode demandar até mesmo decretação
de calamidade pública - situação que permitiria a adoção de medidas extraordinárias.
Como o Brasil não tem legislação que permita obrigar a
quarentena em caso de epidemias e doenças, uma solução seria editar uma medida
provisória ou enviar um projeto de lei em regime de urgência ao Congresso, para
permitir, no menor prazo possível, a aprovação de uma lei sobre o tema.
Nesta sexta-feira, na entrevista que concedeu após a reunião
com o gabinete de crise, o presidente Bolsonaro evitou falar em medida
provisória e disse que ações com esse objetivo precisam da aprovação do
Congresso Nacional.
"O grande problema que nós temos pela frente é que nós
não temos uma lei de quarentena. Ao trazer brasileiro para cá, é nossa ideia,
obviamente, colocá-los em quarentena. Mas qualquer ação judicial os tira de lá
e aí seria uma irresponsabilidade", declarou o mandatário, afirmando que,
para trazer os brasileiros de volta, será preciso ter a certeza de não
contaminação.
"Quem tiver qualquer possibilidade, qualquer sintoma,
não embarcaria e, chegando aqui, pela ausência da lei da quarentena, nós temos que
discutir com o Parlamento. Nós vamos decretar a quarentena, com toda certeza,
numa base militar, longe de grandes centros populacionais, para que a gente não
cause pânico", comentou.
"Se nós não tivermos 'redondinho' (sic) no Brasil, não
vamos buscar ninguém", disse, acrescentando que "quem quiser vir para
cá tem que se submeter aos trâmites de proteção dos 210 milhões que estão
aqui".
Fonte: R7

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