Foto: Marcelo Camargo/ABr
A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta terça-feira
(4), a Operação Chorume, sétima fase da Operação Descarte, para investigar um
escritório de advocacia que teria emitido notas fiscais frias e entregado
dinheiro em espécie para o Consórcio Soma, que era responsável pelos serviços
de limpeza urbana de São Paulo. A ação investiga ainda uma tentativa de
obstrução das fiscalizações da Receita Federal em 2017 mediante pagamento de R$
3 milhões.
Agentes cumprem 21 mandados de busca na capital de São
Paulo, Barueri, Santana de Parnaíba, Francisco Morato, Santos, São José do Rio
Preto, Itajaí (SC), Brasília (DF) e Cidade Ocidental (GO).
A Operação Descarte, desdobramento da Lava Jato, foi
deflagrada inicialmente em março de 2018. O consórcio Soma, criado em 17 de
outubro de 2011, foi um dos alvos da investigação. As delações do doleiro
Alberto Youssef e do empresário Leonardo Meirelles serviram como base para o
desencadeamento da ação.
Na ocasião, a PF identificou que o consórcio Soma usou
botas, sapatênis, bonés, uniformes, tintas, sacos de lixo e detergentes para
lavar R$ 200 milhões. O consórcio fazia aquisições falsas das mercadorias e
chegou a simular a compra de R$ 14,27 milhões em sacos de lixo, entre 2014 e
2016, indicou a corporação à época.
Na Operação Chorume, a Polícia Federal apurou que um
escritório de advocacia de São Paulo era responsável por gerenciar a emissão de
notas fiscais frias de fornecimento de matéria-prima ou prestação de serviços
para o Consórcio Soma. Além disso, entregava dinheiro em espécie ao grupo e a
outros clientes.
A Receita Federal indicou que uma fiscalização identificou
que o grupo de coleta de lixo realizou pagamentos de pelo menos R$ 245 milhões
"a dezenas de fornecedores inexistentes de fato".
Segundo PF, foram identificadas até o momento três pessoas
que entregavam dinheiro para que o escritório de advocacia o repassasse a seus
clientes. Elas indicavam as contas bancárias de empresas fictícias para as
quais deveriam ser realizadas as transferências e depois devolviam o dinheiro
em espécie ao escritório, com a cobrança de uma taxa de 2 a 3% do montante.
Quanto à tentativa de obstrução das investigações, a PF
apontou que o grupo investigado contatou pessoas "supostamente com grande
influência na Receita Federal em Brasília" para tentar barrar as
fiscalizações, mediante o pagamento de R$ 3 milhões.
De acordo com a corporação, metade do valor foi pago, parte
dele para um escritório de advocacia no Distrito Federal. "No entanto
apesar da apresentação de documentos internos e sigilosos da Receita Federal
para os investigados, aparentemente não teve efetividade essa tentativa de
obstrução", indicou a corporação em nota.
A ação apura os crimes de lavagem de dinheiro, evasão de
divisas sonegação tributária, violação de sigilo funcional, organização
criminosa e embaraço à investigação de crime que envolva organização criminosa.
Defesa
A reportagem busca contato com o Consórcio Soma. O espaço
está aberto para manifestações
Fonte: Diário de Pernambuco

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