Leandro de Santana / Esp. DP Foto
Pelo 43º ano, o
sábado de Zé Pereira (22) foi o Galo da Madrugada. Uma multidão foi até o
centro do Recife acompanhar o maior bloco carnavalesco da terra - como diz o
Guiness Book desde 1994. Nem o sol de 30º esmoreceu os foliões, que levaram
alegria e irreverência às ruas que integram o percurso do evento. E os
artistas, claro, não ficaram muito atrás.
Vestida de coelha, Pabllo Vittar fez sua estreia na folia
pernambucana. O tempo inteiro distribuía beijos e rebolava ao público, tanto do
Camarote Oficial do Galo, quanto das ruas. Ela se apresentou na companhia de
Romero Ferro e Michelle Melo - um dos principais nomes do brega pernambucano.
“Eu sempre quis estar aqui no Galo. É um sonho realizado. Muito gostoso estar
aqui”, disse Pabllo.
Tarciso Augusto / Esp. DP Foto
Já Michelle Melo
ressaltou que ainda sente uma ansiedade para cantar no bloco. “É meu quarto ano
de Galo, mas é sempre como se fosse a primeira vez. Ainda mais agora, que é um
momento um pouco mais mágico, porque o brega está tendo uma visibilidade
maior”, explicou ela, que estará à noite no palco do Marco Zero. “Estou toda
preparada para soltar a voz. Gosto de dizer que todo pernambucano já nasce
preparado para participar do Galo, seja cantando ou dançando”, acrescentou.
Quem também renovou sua parceria com o Recife foi a paraense
Gaby Amarantos. “Parece que o carnaval só começa, de fato, com o Galo. É sempre
muita alegria vir aqui, representando a Amazônia, a mulher preta da periferia.
Durante o ano inteiro eu sou do Pará, mas, no carnaval, viro recifense”,
destacou.
Fantasias
Só mesmo o carnaval de Pernambuco possibilita casais
improváveis, como Fernando Azevedo, 55, vestido de soldado de Darth Vader, do
filme Star Wars, e Luciana Freitas, 44, que veio de colombina. “Eu sempre venho
fantasiado. Já vim de caveira, Sr. Incrível, e esse ano resolvi encarar essa
fantasia que é muito quente”, disse Fernando.
Paulo Paiva / DP Foto
Um grupo de freiras
“fugidas do convento” também deu o ar da graça. As irmãs Miriam, 53, e Marta
Ferreira, 51, trouxeram a potiguar Nélia Cesário, 55, e a garanhuense Adeílda
de Fátima, 55, para brincar na capital pernambucana. “Todas fomos criadas no
convento e estamos nos aposentando do carnaval para fazermos nossos votos”,
brincou Miriam.
Teve também crítica bem-humorada. Vinda de Natal, a
cabeleireira Pauline Lima se vestiu de policial. “Ano passado eu vim aqui e
tinha muito pouco policiamento. Esse ano resolvi eu mesmo botar ordem”,
comentou.
Paulo Paiva / DP Foto
Limitações de saúde
não foram problema. A advogada Gisela Monteiro, 46, fraturou o pé dias atrás.
Mas arranjou uma cadeira de rodas e pediu para o marido carregá-la na
multidão. "Vim como eu podia. Me
adaptei pra poder curtir”, destacou. Quem também ignorou barreira foi a
policial civil Izabel Ferreira, 50: “Estou rouca. Mesmo doente, com a garganta
inflamada, não ia perder por nada isso daqui”.
Izabel trouxe o colegas de delegacia Áurea Ferreira, 50, e
Lourival Junior, 50, para encarnarem a história de Chapeuzinho Vermelho. Izabel
veio de vovozinha, Áurea de chapeuzinho e Lourival, lobo mau. “A gente já
queria se vestir assim, mas só teve oportunidade este ano. Mas, claro, eu sou o
lobo bom”, ponderou o homem.
Por fim, no carnaval do Galo, o empresário João Paulo Ribeiro, 38, observava a movimentação de fantasias na rua. "Faz parte da cultura, é importante preservar isso. Mas, hoje, eu prefiro ficar por aqui. É mais tranquilo, dá para curtir com mais conforto", explicou João, que trouxe junto a esposa, a terapeuta ocupacional Ana Carina Lima.
Fonte: Diário de Pernambuco




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