A atualização diária dos dados sobre a Covid-19 no país
virou o centro de uma polêmica nos últimos quatro dias (04/06). De quarta-feira
para cá, os boletins diários que atualizam o número de casos confirmados e de
mortes têm sido divulgados por volta das 22h – um horário em que as informações
não alcançam boa parte da população que já está dormindo ou se prepara para
isso.
Na sexta-feira (05/06), questionado sobre o atraso na
divulgação dos dados, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que “Acabou a matéria
no Jornal Nacional”. E, no mesmo dia, Carlos Wizard, nomeado para um cargo
estratégico no Ministério da Saúde, em entrevista ao jornal O Globo, disse que
o número de mortes e diagnósticos de Covid-19 são “fantasiosos ou manipulados”.
Para ele, estados e municípios estariam inflando as informações para receber
mais recursos.
Também na sexta-feira (05/06), o portal público no qual os
dados diários do país – divididos por estados e regiões eram divulgados – foi
retirado do ar. Ou seja, o Ministério da Saúde tem dificultado o acesso às
informações sobre o alcance da pandemia do novo coronavírus no Brasil.
“Um dos princípios
básicos para enfrentar uma epidemia é a transparência, sem as informações o
país fica no escuro”, reclama o sanitarista Claudio Maierovicht, da Fundação
Oswaldo Cruz (FioCruz). “Os dados servem tanto para que estados e municípios
tomem suas medidas, como para que a população esteja ciente da necessidade de
manter medidas de precaução”, completa.
Em relação à veracidade dos dados e à manipulação sugeridas
por Wizard, o próprio Ministério da Saúde já reconheceu que óbitos e
diagnósticos no Brasil estariam subnotificados por conta da baixa testagem e da
investigação pendente de cerca de 4 mil óbitos.
Números
De acordo com a última atualização (05/06), o Brasil
registra 35.026 mortes em decorrência da Covid-19 e 645.771 pessoas já foram
infectadas pelo Sars-CoV-2 desde o início da pandemia.
O Brasil ocupa o 2º lugar no ranking mundial de casos de
Covid-19 e o 3º lugar em relação ao número de mortes. Na quinta, o país
ultrapassou a Itália na quantidade de falecimentos e, deste então, fica atrás
apenas dos Estados Unidos e da Inglaterra.
Fonte: Metrópoles

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