Foto: Simon Dawson / POOL / AFP
A hidroxicloroquina não apresenta "efeito
benéfico" para pacientes com covid-19, de acordo com os responsáveis pelo
ensaio clínico britânico Recovery, que anunciaram nesta sexta-feira a cessação
"imediata" da inclusão de novos pacientes nesse tratamento.
Recovery - um grande ensaio clínico, cujos resultados eram
aguardados com entusiasmo - foi um dos únicos a não suspender seus testes com
hidroxicloroquina, após um estudo controverso publicado no periódico "The
Lancet", que apontava para a ineficácia, ou mesmo o efeito prejudicial da
molécula.
Após uma análise dos resultados iniciais, "concluímos
que não há efeito benéfico da hidroxicloroquina em pacientes hospitalizados com
covid-19", disseram os pesquisadores em um comunicado.
"Decidimos parar de recrutar participantes para o braço
(a parte de um estudo relacionado a um tratamento específico) hidroxicloroquina
do estudo Recovery, com efeito imediato", acrescentaram.
Eles disseram que decidiram tornar públicos esses
"resultados preliminares, porque têm importantes consequências para o
atendimento aos pacientes e para a saúde pública".
Recovery é um ensaio clínico controlado randomizado
(pacientes escolhidos de forma aleatória), um método experimental considerado o
mais sólido para testar medicamentos. Está sendo realizado no Reino Unido em
mais de 11 mil pacientes de 175 hospitais para avaliar a eficácia de vários
tratamentos para a covid-19.
Os testes das outras pistas de tratamento continuam.
A parte da hidroxicloroquina envolveu 1.542 pacientes que
receberam a molécula, em comparação com 3.132 pacientes que receberam
tratamento padrão.
Os pesquisadores concluem que não há diferença significativa
entre os dois grupos para a mortalidade em 28 dias, ou para o tempo de internação
hospitalar.
"É decepcionante que esse tratamento seja ineficaz, mas
nos permite focar nos cuidados e na pesquisa de medicamentos mais
promissores", disse o principal pesquisador do ensaio, Peter Horby.
Enquanto esse tratamento tem sido amplamente prescrito em
muitos países "na ausência de informações confiáveis", "esses
resultados devem mudar as práticas médicas em todo mundo e demonstrar a
importância de estudos randomizados em larga escala para permitir decisões
sobre a eficácia e a segurança dos tratamentos", acrescentou seu adjunto,
Martin Landray.
Um estudo publicado na revista médica "The Lancet"
em 22 de maio concluiu que a hidroxicloroquina não era benéfica para pacientes
hospitalizados com COVID-19 e poderia até ser prejudicial. Tratou-se de um
estudo observacional baseado em dados coletados em 96 mil pacientes em todo
mundo pela empresa americana Surgisphere, que vem, desde então, sendo criticado
por uma série de pontos problemáticos.
O estudo levou à suspensão do braço da hidroxicloroquina em
dois grandes ensaios: o Solidarity, sob a liderança da Organização Mundial da
Saúde (OMS), e o estudo europeu Discovery.
Depois da onda de críticas contra o estudo da
"Lancet" - que finalmente foi retirado na quinta-feira -, a OMS
recuou nesta semana e anunciou a retomada de seus testes. O Discovery planeja
fazer o mesmo.
Na quarta-feira, outro ensaio clínico randomizado realizado
nos Estados Unidos e no Canadá, em menos pacientes do que o Recovery, concluiu
que a molécula é ineficaz na prevenção da covid-19.
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Fonte: Correio Braziliense

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