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terça-feira, 9 de junho de 2020

Palestinos apresentam 'contraproposta' ao plano de Trump para Oriente Médio

Foto: Menahem Kahana/AFP

Os palestinos anunciaram nesta terça-feira (9) que apresentaram uma "contraproposta" ao plano americano para o Oriente Médio e pediram aos europeus que pressionem Israel para evitar uma anexação de partes da Cisjordânia ocupada.

A partir de 1º de julho, o novo governo de união israelense liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e pelo ministro da Defesa Benny Gantz deve apresentar sua estratégia para implementar o plano do governo de Donald Trump, aclamado pelo lado israelense como uma "oportunidade histórica".

Anunciado no final de janeiro em Washington, o plano dos EUA prevê a anexação por Israel de colônias e do vale do Jordão na Cisjordânia, ocupada desde 1967 pelo Estado hebreu.

Também prevê a criação de um Estado palestino em um território reduzido e sem Jerusalém Oriental como capital, ao contrário do que os palestinos querem.

O primeiro-ministro palestino, Mohammed Shtayyeh afirmou que a transferência de territórios proposta será feita "de igual para igual" em termos de "tamanho e valor".

Durante a última década, a população das cerca de cem colônias israelenses na Cisjordânia aumentou em 50% ultrapassando os 450 mil habitantes. Mais de 2,7 milhões de palestinos também vivem neste território.

O secretário-geral da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Saeb Erakat, afirmou hoje que se reuniu com representantes da Rússia, da União Europeia (UE) e da ONU para discutir o projeto de anexação, mas não com dos Estados Unidos.

Os palestinos cortaram as ligações políticas com os EUA desde que este reconheceu Jerusalém como capital de Israel em dezembro de 2017.

Erakat disse ter-lhes entregado uma carta do presidente palestino Mahmoud Abbas "na qual se exige a formação de uma coalizão internacional contra a anexação e uma reunião de todos os países que se opõem a ela".

- "Sanções, frustrações" -

Embora a UE se oponha ao projeto de anexação, não anunciou nesta fase medidas contra o plano, que deve estar no centro da visita na quarta-feira a Jerusalém e Jordânia de Heiko Maas, ministro das Relações Exteriores da Alemanha, país que assumirá a presidência rotativa do Conselho da União Europeia em 1o de julho.

Reconhecimento de um Estado palestino, sanções contra Israel ou outros: muitos países europeus questionam-se sobre a linha que deve ser adotada para desencorajar Israel de avançar com esse plano, e quais medidas tomar em caso de anexação efetiva, destacaram as fontes diplomáticas.

"Queremos que Israel sinta a pressão internacional (...) Pela primeira vez, os aliados políticos europeus discutem sanções contra Israel porque nós os pedimos", afirmou Shtayyeh.

Nos últimos dias, as manifestações contra o projeto de anexação se multiplicaram na Cisjordânia e em Israel, embora grandes multidões do lado palestino não tenham se mobilizado até o momento.

Fonte: Diário de Pernambuco

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