Foto: Menahem
Kahana/AFP
Os palestinos anunciaram nesta terça-feira (9) que
apresentaram uma "contraproposta" ao plano americano para o Oriente
Médio e pediram aos europeus que pressionem Israel para evitar uma anexação de
partes da Cisjordânia ocupada.
A partir de 1º de julho, o novo governo de união israelense
liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e pelo ministro da Defesa
Benny Gantz deve apresentar sua estratégia para implementar o plano do governo
de Donald Trump, aclamado pelo lado israelense como uma "oportunidade
histórica".
Anunciado no final de janeiro em Washington, o plano dos EUA
prevê a anexação por Israel de colônias e do vale do Jordão na Cisjordânia,
ocupada desde 1967 pelo Estado hebreu.
Também prevê a criação de um Estado palestino em um
território reduzido e sem Jerusalém Oriental como capital, ao contrário do que
os palestinos querem.
O primeiro-ministro palestino, Mohammed Shtayyeh afirmou que
a transferência de territórios proposta será feita "de igual para
igual" em termos de "tamanho e valor".
Durante a última década, a população das cerca de cem
colônias israelenses na Cisjordânia aumentou em 50% ultrapassando os 450 mil
habitantes. Mais de 2,7 milhões de palestinos também vivem neste território.
O secretário-geral da Organização para a Libertação da
Palestina (OLP), Saeb Erakat, afirmou hoje que se reuniu com representantes da
Rússia, da União Europeia (UE) e da ONU para discutir o projeto de anexação,
mas não com dos Estados Unidos.
Os palestinos cortaram as ligações políticas com os EUA desde
que este reconheceu Jerusalém como capital de Israel em dezembro de 2017.
Erakat disse ter-lhes entregado uma carta do presidente
palestino Mahmoud Abbas "na qual se exige a formação de uma coalizão
internacional contra a anexação e uma reunião de todos os países que se opõem a
ela".
- "Sanções, frustrações" -
Embora a UE se oponha ao projeto de anexação, não anunciou
nesta fase medidas contra o plano, que deve estar no centro da visita na
quarta-feira a Jerusalém e Jordânia de Heiko Maas, ministro das Relações
Exteriores da Alemanha, país que assumirá a presidência rotativa do Conselho da
União Europeia em 1o de julho.
Reconhecimento de um Estado palestino, sanções contra Israel
ou outros: muitos países europeus questionam-se sobre a linha que deve ser
adotada para desencorajar Israel de avançar com esse plano, e quais medidas
tomar em caso de anexação efetiva, destacaram as fontes diplomáticas.
"Queremos que Israel sinta a pressão internacional
(...) Pela primeira vez, os aliados políticos europeus discutem sanções contra
Israel porque nós os pedimos", afirmou Shtayyeh.
Nos últimos dias, as manifestações contra o projeto de
anexação se multiplicaram na Cisjordânia e em Israel, embora grandes multidões
do lado palestino não tenham se mobilizado até o momento.
Fonte: Diário de Pernambuco

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