A doméstica Mirtes Renata Santana de Souza, mãe de Miguel,
de 5 anos, menino que morreu ao cair do 9º andar do prédio de luxo no Recife
onde ela trabalhava, escreveu com auxílio de advogado uma carta direcionada à
ex-patroa Sari Corte Real, esposa do prefeito de Tamandaré, Sérgio Hacker
(PSB). No texto, ela defende punição à primeira-dama de Tamandaré.
"Após poucos dias é desumano cobrar perdão de uma mãe
que perdeu o filho dessa forma tão desprezível. Afinal, sabemos que ela não
trataria assim o filho de uma amiga. Ela agiu assim com o meu filho, como se
ele tivesse menos valor, como se ele pudesse sofrer qualquer tipo de violência
por ser ‘filho da empregada’”, diz Mirtes na carta.
Ela acrescenta: "Perdoar pressupõe punição; do
contrário, não há perdão, senão condescendência. A aplicação de uma pena será
libertadora, abrandará o meu sofrimento, permitirá o meu recomeço e abrirá
espaço para o que foi pedido: perdão. Antes disso, perdoar seria matar o Miguel
novamente."
Mirtes ressaltou que não recebeu pedido de desculpas. Ela
defende que a carta escrita por Sari foi dirigida à imprensa. "Eu não
tenho rancor. Tenho saudade do meu filho. O sentido da vida de quem e? mãe passa
pelo cheiro do cabelo do filho ao acordar, pelo sorriso nas suas brincadeiras,
pelo ‘mamãe’ quando precisa do colo e do abrigo de quem o trouxe ao mundo. Uma
mãe, sem seu filho, sofre uma crise, não apenas de identidade, como também de
existência. Quem sou eu sem Miguel? Ela tirou de mim o meu neguinho, minha
vida, por quem eu trabalhava e acordava todos os dias.”
Confira a carta na íntegra:
SOBRE O PERDÃO PEDIDO POR SARI
Eu não recebi qualquer pedido de desculpas. A carta de
perdão foi dirigida à imprensa, o que me faz pensar que eu não era
destinatária, mas sim a opinião pública com a qual ela se preocupa por mera
vaidade e por ser esse um ano de eleição.
Eu não tenho rancor. Tenho saudade do meu filho. O sentido
da vida de quem e? mãe passa pelo cheiro do cabelo do filho ao acordar, pelo
sorriso nas suas brincadeiras, pelo “mamãe” quando precisa do colo e do abrigo
de quem o trouxe ao mundo. Uma mãe, sem seu filho, sofre uma crise, não apenas
de identidade, como também de existência. Quem sou eu sem Miguel? Ela tirou de
mim o meu neguinho, minha vida, por quem eu trabalhava e acordava todos os
dias.
Quando eu grito que quero justiça, isso significa que eu
preciso que alguém assuma a minha dor, lute minha luta, seja o destilado da
cólera que eu não quero e nem posso ser. Eu não tenho forças neste momento, não
tenho chão. Não tenho vida!
Após poucos dias é desumano cobrar perdão de uma mãe que
perdeu o filho dessa forma tão desprezível. Afinal, sabemos que ela não
trataria assim o filho de uma amiga. Ela agiu assim com o meu filho, como se
ele tivesse menos valor, como se ele pudesse sofrer qualquer tipo de violência
por ser “filho da empregada”.
Perdoar pressupõe punição; do contrário, não há perdão,
senão condescendência. A aplicação de uma pena será libertadora, abrandará o
meu sofrimento, permitirá o meu recomeço e abrirá espaço para o que foi pedido:
perdão. Antes disso, perdoar seria matar o Miguel novamente.
Fonte: Diário de Pernambuco


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