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Beijar alguém à força, passar a mão sem consentimento,
xingar ou ameaçar é crime e pode resultar em até cinco anos de prisão. Ainda
assim, no Carnaval, as denúncias de violência sexual contra mulheres chegam a
aumentar em 20%. É o que dizem os dados do Ministério da Mulher, Família e
Direitos Humanos.
Segundo a promotora Valéria Scarance, coordenadora do Núcleo
de Gênero do Ministério Público paulista e idealizadora da cartilha
Carnaval#EUDECIDO, é a ideia de que a mulher que participa da festa está
disponível a investidas que naturaliza o assédio.
"Em 2016, uma pesquisa do Data Popular com 3,5 mil
brasileiros de 146 cidades revelou que para 61% dos entrevistados, uma mulher
solteira que vai pular carnaval não pode reclamar de ser cantada; para 49%,
bloco de carnaval não é lugar para mulher 'direita'.
No Carnaval as violências aumentam em razão desse machismo
naturalizado, como se o fato de uma mulher dançar carnaval, consumir álcool ou
usar fantasia fosse uma “carta branca” para violências. Isso tem que
mudar."
Entenda o que é importunação sexual
Desde 2018, investidas caracterizadas como assédio levam o
nome de importunação sexual. Segundo Scarance, basta que a vítima não tenha
concordado com o "sinal avançado" para que exista o crime. E não é só
"roubar" um beijo na boca com esfregar o corpo sem consentimento:
cantadas pornorgráficas e xingamentos após receber um não também configuram
assédio.
"Se houver força ou ameaça para a prática do ato sexual, o crime é mais grave: estupro, com pena de 6 a 10 anos de prisão.
Se a pessoa abusada for menor de 14 anos, estiver inconsciente, desacordada ou
não puder oferecer resistência, há estupro de vulnerável, com pena de 8 a 15
anos de prisão.
Fui assediada. E agora?
- Entrar em contato com a organização do evento do bloco.
- Ligar para a Central 190 caso o crime esteja acontecendo
no momento ou para a Central 180 se quiser fazer a denúncia um tempo depois do
ocorrido.
- Se possível, registrar imagens do assediador
- Registrar marcas e sinais de abuso, como hematomas na
pele;
- Registrar um boletim de ocorrência em qualquer Delegacia de Polícia ou na Delegacia da Mulher. Você pode pedir medidas de proteção e sigilo de seus dados.
Fonte: R7

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