Foto: Alina Dieste/AFP
O “histórico de solidariedade” do Brasil de cooperação com a
saúde internacional ao longo de outras crises mundiais no setor é o motor que
mantém estável as relações entre a Organização das Nações Unidas (OMS) e as
autoridades e pesquisadores brasileiros, mesmo após a polêmica declaração do
mandatário do país ameaçando romper parceria a entidade.
A declaração foi dada por Marcos Espinal, diretor de doenças
transmissíveis da Organização Pan-americana da Saúde (Opas), braço da OMS nas
Américas. “O Brasil tem sido um importante ator entre as Américas e fora
também, porque tem uma grande tradição de solidariedade e pan-americanismo até
por fazer fronteira com 10 países. A organização está pronta para continuar
apoiando o Brasil”, disse durante coletiva desta terça-feira (9/6).
Na sexta-feira passada, o presidente Jair Bolsonaro chegou a
ameaçar romper cooperação com a OMS, a exemplo do que fez o presidente
norte-americano Donald Trump. “O Trump cortou a grana deles, voltaram atrás em
tudo. Um cara que nem é médico. Eu
adianto aqui. Os Estados Unidos saiu. A gente estuda, no futuro: ou a OMS
trabalha sem ideologia ou nós vamos estar fora também. Não precisamos de gente
lá de fora dar palpite na saúde aqui dentro”, apontou o chefe do Executivo.
A ameaça provocou receio por parte de pesquisadores e
técnicos da saúde, que vem articulando junto à OMS o desenvolvimento de vacinas
e medicamentos no país, com o objetivo de que o Brasil possa ter acesso a
tratamentos e imunização o mais rápido possível. Mas, segundo Espinal, essa não
será a postura da organização.
“Temos facilitado a compra de milhões de testes, a chegada
de profissionais da saúde Manaus e em outras áreas, realizamos reuniões
virtuais de educação. Não vamos permitir que vacinas ou medicamentos novos
deixem de chegar, porque vamos facilitar isso, por exemplo, através do fundo
estratégico para insumos e medicamentos e também pelo nosso fundo rotatório”,
tranquilizou Espinal.
Durante a coletiva, o diretor também comentou a revisão dos
números do Brasil, se mostrando favorável aos esforços, desde que as
estatísticas continuem sendo passadas para a população. “Revisar não é ruim.
Mas a recomendação é que os dados continuem sendo informados, porque isso
permite a nós e aos próprios governantes ter uma noção clara dos
acontecimentos, além de permitir planejar o combate à doença.”
Fonte: Correio Brsziliense
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